Thursday, November 21, 2013

A Palavra do Burro

Puxa, estou muito cansado. Não existem muitos que sabem o que é levar uma cruz feita de madeira sessenta léguas. Nem querem saber. Não entendem. Pois, o mundo é assim. Nem sempre eu pensava assim, mas agora Cristo iluminou-me a mente. A gente só fica pensando nela mesma, mas quando as coisas se correm mal aí começa a entender um pouco. Mas enquanto isso não acontecer, vai se achando, mentindo, e fingindo. São cegos do que é mais precioso.

Nesta jornada que fiz, embora eu passasse árvores bonitas, paisagens nobres, e a mãe de natureza na sua norma, não conseguia desfrutar-me das coisas por sentir fraco e pesado embaixo de minha provação. Minha mente não para de pensar nele, meu melhor amigo, e fico preocupado por causa disso.  Cada momento fico nervoso de não saber o resultado do dever que eu faço. Mesmo tenho duvido se vou conseguir no fim ou não. Talvez tenha que ser assim.

Percebo agora que não é fácil. Quando a gente tiver que fazer algo que ninguém faria, algo grande que poderia mudar a vida duma pessoa seja fisicamente, espiritualmente, ou seja o que for, ninguém vai perceber e pode-se acreditar que ninguém vai ajudar para o seu benefício, mas só deles. Se um quiser embarcar neste projeto insano terá que passar pelas provações do amor e talvez perdê-lo; terá que enfrentar as tempestades e ventos da trapaça e dúvida que os políticos, os governos, e as pessoas criam; mesmo terá que ser tentados pelos próprios fulanos que acham-se homens de Deus. Tudo isso tive que passar só para entrar numa igreja para adorar meu Deus e minha Santa Bárbara? É ridículo! Ninguém entende! Ninguém percebe…só quer que as pessoas como eu desista.

Nunca esperava que fosse assim. Nunca imaginava que tivesse que fazer sozinho. Ainda bem que os olhos ingénuos foram abertos e consegue-se ver o rosto real desse mundo egoísta. Bem...não posso dizer que ninguém entende. Pois Cristo entende o que é cumprir uma promessa.

Friday, November 15, 2013

O Pagador De Promessas

"Sim, você. Você que acaba de repetir a via crucis, sofrendo o martírio de Jesus. Você que , presunçosamente, pretende imitar o Filho de Deus…" (67)

Nunca esperei isso. Que ironia! Alguém pensaria que quando uma pessoa esforça-se para cumprir uma promessa, tal como levar uma cruz enorme sessenta léguas, a primeira pessoa para ajudar ou deixar o homem entrar na igreja seria o Padre mesmo. Mas foi o oposto. Zé finalmente encontra-se com o padre, mas fica surpreendido pela intolerância religiosa. Zé fez tudo que podia para entrar, mas o padre não deixava.

Ao ler o livro, eu vou pensando nas três perguntas feitas antes de começarmos a leitura: O que simboliza o homem, a promessa que fez, e as pessoas que tentam pará-lo? Tenho duas ideais que estão a bater-se na minha cabeça. O primeiro é que Zé simboliza o brasileiro normal de bahia e o esforço que essas pessoas fazem para ser religiosos, para vir a Cristo, mesmo que eles mexam as ideais religiosas. Sendo pessoas normais e pobres, contudo as classes de elite estão revoltados por elas. É um símbolo a mostrar a miscegenação religiosa de brasil e a reação da gente para isso. Isso é a primeira ideia

A segunda ideia talvez seja a mais óbvia, que Zé representa o Cristo. Embora seja somente uma imitação de Cristo. Zé tomou a cruz dele para salvar uma criatura, como Cristo tomou a sua cruz para salvar a humanidade. E ao fazer Cristo foi rejeitado, desprezado, e odiado por todos, sejam os políticas, os religiosos, etc. Ele mesmo teve que pôr em frente de amor a promessa que ele fez, exatamente como Zé fez com a Rosa. Se isso for certo, poderei adivinhar que Zé vai encontrar problema com políticos. O que é interessante é que embora Zé não queira imitar ou tomar lugar de Cristo, parece que a promessa que ele está a cumprir está a provocar isso. Do início, parecia que ele só tinha que levar a cruz para à igreja, mas afinal, a promessa está a ser mais difícil do que qualquer pessoa pensava; ele está a aprender o que Jesus Cristo passou por passar a mesma coisa dum nível mais baixo e fraco. Sinto-me que o autor está a dizer que quando toma a cruz, você tem que tomar tudo que vem com ela. Pode-se ver nesta história que o Gomes está a mostrar-nos mais facilmente e fracamente os dores e experiências que o Cristo passou para nos salvar.

Friday, November 8, 2013

Teoria Nunca Exige "Fato"

"Reading, in other words is not an exercise in burrowing into the words for their "real" meaning but rather a matter of producing relations among signifiers that have no "natural" or "essential" meaning." (The Theory Toolbox, 25)

Não tivemos uma leitura específica nesta semana, mas tive algum tempo para revisar algumas das leituras que fizemos na aula anteriormente, inclusive The Theory Toolbox. Se houvesse somente uma coisa que aprendi neste livro que "there is no such thing as natural fact" (6). Na minha vida inteira parece que foi ensinado, seja por acidente ou propósito, pelos meus professores a procurar um fato. Só um! Minha mente trabalhava assim havia muito tempo. Quando eu lia literatura, ou lia perguntas dum exame, ou seja que fosse, sempre buscava uma resposta concreta. Um significado sempre implicado. Mas vivemos numa vida da teoria, especialmente no mundo da literatura. Há alguns aspectos do fato mesmo, como problemas matemáticos. Mas esses problemas e soluções não começaram sem teorias? As pessoas andam a ter opiniões, ideais, e repostas sobre vários assuntos--é Miley Cyrus humana? Obama é um bom presidente? Todas terão opiniões sobre essas coisas que eles vão chamar "fato," mas em verdade, são teorias. "Everything is suspicious." (6)

É essa regra que traz cor e beleza para a leitura. Se pensarmos, teremos que ler assim também. Ler não é simplesmente perder-se nas palavras dum livro a fim de achar o significado "real", mas produzir relações entre as palavras que não tem um significado "natural". Ler deve ser usar todos os recursos do livro, todos os contextos para encontrar significados e propósitos escondidos que fazem com que nós aprendamos mais. Ler é imaginar usando provas do texto. Ler não é o "o que" do livro e significado, mas de fato é o "como". Não se pode estar satisfeito com uma resposta, mas disposto de ouvir e estar abertos para muitas.


Friday, November 1, 2013

Poética

"--Não quero mais saber do lirismo que não é libertação."

Este poema, escrito por Manuel Bandeira, mostra um humor ambos escrito e imaginado que faz com que o leitor entenda que o lirismo se deve levar a sério. Ele mesmo copia o lirismo em algumas formas para prover o seu ponto.

Um exemplo é "estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho
                                                                                          /vernáculo de um vocábulo."
O Bandeira expressa a chatice de ter que entender as palavras grandes, profundas, e impossíveis ajudar o leitor entender que é só para apresentação. Ele convida o leitor a sentir a maneira que ele sente por usar palavras diferentes e desnecessário. Essa ferramenta causa um desgosto por lirismo.

Bandeira também usa duas frases para mostrar que poesia do lirismo não é poesia. Ele escreve
"Estou farto do lirismo namorador
  Político
  Raquítico
  Sifilítico
  …Será contabilidade de co-senos secretário, do amante exemplar com
                      /cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc."
Ele mostra com isso que os poetas do lirismo só usam a forma e não sentimentos. Ele mesmo usa uma forma desagradável para ilustrar este ponto. Poesia é completamente dos sentimentos, e ao mostrar que as poetas só usa forma "diferente" para "agradar" o Bandeira apoia seu ponto que lirismo não é poeta real e livre. É somente uma apresentação.
Para apoiar este ponto mais ele fala "Quero antes o lirismo dos loucos o lirismo dos bêbados…o lirismo dos clowns de shakespeare." Antes de ouvir uma pessoa com lirismo profundo e palavras grandes e desconhecidas, ele quer ouvir pessoas que frequentemente não são respeitados. Porque? Sabemos nos teatros de Shakespeare os seus clowns são as pessoas menos importantes, mas que falam sempre a verdade. E muitas vezes uma verdade importante para o entendimento. Bêbados também não tem controlo sobre o que dizem. Então falam tudo! E não falam para agradar as pessoas que ouvem, mas simplesmente para falar a verdade que existe para que quem ouve saiba a realidade. O uso desses pontos pinta uma imagem muito forte na cabeça do leitor ao saber que os bêbados e clowns são mais de que o lirismo sem sentimento, o político, o raquítico, etc. Não é poesia quando eles falam, mas hipocrisia. Como Bandeira diz, o lirismo assim "não é libertação." Estão presos com a pressão de agradar as pessoas e parecer algo que não são.