"...Depois, malo o sol acabou de nascer, o homem e a mulher foram pintar na proa do barco, de um lado e do outro, em letras brancas, o nome que ainda faltava dar a caravela, Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, a procura de si mesma." (página 60)
O Conto da Ilha Desconhecida é um conto que faz a gente ponderar na jornada do homem que pediu do rei um barco. Pessoalmente fez-me pensar e perguntar em duas coisas: O que é essa ilha desconhecida que o homem procura, e porque está a procurá-la? Quando li a última frase do conto, eu pensei logo que o homem e a mulher chamaram o barco A Ilha Desconhecida, e talvez o chamassem isso. Mas depois de pensar profundamente, tenho reparado que quando se diz, "A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, a procura de si mesma," realmente está a falar sobre o homem. É o homem que está a procurar si mesmo.
O personagem do conto quer descobrir a si mesmo, o sentido da sua existência na vida. O homem pede do rei um barco para que ele possa embarcar na jornada de encontrar "A Ilha Desconhecida," ou seja, o seu sonho. Sabemos que o homem quer cumprir esse sonho, porque fica na porta por três dias a espera de resposta do rei. Ele sabia exatamente o que queria fazer. Mas quando está perto de embarcar na sua jornada e cumprir, o sonho fica cada vez mais distante e ele fica fraco e mesmo duvida-se na existência da Ilha. ( Os geógrafos do rei tentam dissuadi-lo, pois já não existem ilhas para conhecer; os marinheiros recusam-se a embarcar na aventura). Quando estava prestes a desistir do sonho, ele encontrou força na mulher, por qual ele apaixona. Podemos dizer que ele encontra uma parte dessa ilha, senão tudo.
Achei muito interessante que o Autor, Saramago, nunca usou nomes específicos para os seus personagens. Nem falou das suas vidas pessoais. Somente mencionou muito das suas profissões. Saramago, fez isso para que saibamos que esses personagens somos nós. Cada um de nós embarcaremos numa jornada para encontrar nós mesmos. Bem, alguns, senão todos, estão a fazer isso agora, e acho que o autor que o leitor aprenda que a jornada de encontrar a ilha desconhecida é difícil. Esse conto mostra-nos o desejo e perseverança necessária de cumprir esse sonho. Teremos os nossos reis, os nossos marinheiros, e os nossos geógrafos que irão nos duvidar, mas continuemos, como o homem fez abraçado a mulher.
Tuesday, September 24, 2013
Friday, September 20, 2013
A Chinela Turca
"...mas, ao cabo de uma quarto de hora, eis o que ele dizia consigo: -- Ninfa, doce amiga, fantasia inquieta e fértil, tu me salvaste de uma ruim peça com um sonho original, substituíste-me o tédio por um pesadelo: foi um bom negócio. Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco."
Este conto de Machado de Assis é um muito único ao mundo, pois leva-nos a participar da aventura vivida pelo protagonista, no qual parece-se muito real. Por causa das mudanças do momentos, o leitor fica confundido na história. Eu tive que ler duas vezes muito devagar só para perceber que o bacharel estava a sonhar. Nunca li um texto assim. Então, porque é que Machado escreveu este conto, e qual é o significado dele?
Eu não posso dizer melhor de que o Duarte que disse, "o melhor drama está no espectador e não no palco." Parece que o autor esta a ensinar uma lição. Faz-se perceber a importância que o imaginário/leitor exerce nas narrativas, pois Machado deixa-nos completamente confusos em alguns pontos do conto. Quase não deu na primeira leitura perceber o que estava a passar-se, se era realidade ou sonho. Mas isso é o gênio do autor. Ele quer que olhemos para trás para buscar as nossas próprias respostas. Machado de Assis distingue-se de outros escritores por transformar seus leitores em personagens a levá-los a usar a imaginação e fazer com que eles tirem suas conclusões pessoais do texto. Ele faz-nos tirar a moral de história.
Então, neste conto particular, nos tornamos o Duarte. Ele tem uma outra coisa melhor para fazer como nós (dançar no baile com a namorada dele há uma semana), mas o Major queria que ele lesse/ouvisse a história/drama dele que tem 7 quadros. Que droga! Duarte ficou irritado e não conseguiu focalizar porque estava a pensar só em Cecilia. Mas sem nós sabermos, ele começa a sonhar com os personagens e aspectos do texto de Major. Ele fez uma história intenso e aventurosa. Tão aventurosa que ele agradeceu o Major no fim do conto.
Machado de Assis quer que façamos o mesmo. Que leiamos, que criemos a nossa opinião, que vivamos o conto. Porque como aprendemos no "Toolbox", não existe facto na leitura. Somente existe interpretação. O autor lembra-nos disso, que nós é que fazemos uma boa leitura. O melhor drama/conto/ leitura fica nas mãos de espectador. E é por essa razão que Machado tem tanto sucesso, porque seus leitores vivem a aventura.
Este conto de Machado de Assis é um muito único ao mundo, pois leva-nos a participar da aventura vivida pelo protagonista, no qual parece-se muito real. Por causa das mudanças do momentos, o leitor fica confundido na história. Eu tive que ler duas vezes muito devagar só para perceber que o bacharel estava a sonhar. Nunca li um texto assim. Então, porque é que Machado escreveu este conto, e qual é o significado dele?
Eu não posso dizer melhor de que o Duarte que disse, "o melhor drama está no espectador e não no palco." Parece que o autor esta a ensinar uma lição. Faz-se perceber a importância que o imaginário/leitor exerce nas narrativas, pois Machado deixa-nos completamente confusos em alguns pontos do conto. Quase não deu na primeira leitura perceber o que estava a passar-se, se era realidade ou sonho. Mas isso é o gênio do autor. Ele quer que olhemos para trás para buscar as nossas próprias respostas. Machado de Assis distingue-se de outros escritores por transformar seus leitores em personagens a levá-los a usar a imaginação e fazer com que eles tirem suas conclusões pessoais do texto. Ele faz-nos tirar a moral de história.
Então, neste conto particular, nos tornamos o Duarte. Ele tem uma outra coisa melhor para fazer como nós (dançar no baile com a namorada dele há uma semana), mas o Major queria que ele lesse/ouvisse a história/drama dele que tem 7 quadros. Que droga! Duarte ficou irritado e não conseguiu focalizar porque estava a pensar só em Cecilia. Mas sem nós sabermos, ele começa a sonhar com os personagens e aspectos do texto de Major. Ele fez uma história intenso e aventurosa. Tão aventurosa que ele agradeceu o Major no fim do conto.
Machado de Assis quer que façamos o mesmo. Que leiamos, que criemos a nossa opinião, que vivamos o conto. Porque como aprendemos no "Toolbox", não existe facto na leitura. Somente existe interpretação. O autor lembra-nos disso, que nós é que fazemos uma boa leitura. O melhor drama/conto/ leitura fica nas mãos de espectador. E é por essa razão que Machado tem tanto sucesso, porque seus leitores vivem a aventura.
Friday, September 13, 2013
O Enfermeiro
"Crime ou luta? Realmente, foi uma luta, em que eu, atacado, defendi-me, e na defesa...Foi uma luta desgraçada, uma fatalidade. Fixei-me nessa idéia...não era a culpa do coronel, bem o sabia, era da moléstia, que o tornava assim rabugento e até mau...mas eu perdoava tudo, tudo...Considerei também que o coronel não podia viver mais; estava por pouco; ele mesmo o sentia e dizia...[eu] estava atordoado. Toda a gente me elogiava a dedicação e a paciência...eu defendia-o, apontava algumas virtudes, era austero...mas a verdade é que ele devia morrer, ainda que não fosse aquela fatalidade..."
O Enfermeiro foi um conto muito interessante sobre um enfermeiro que por causa da sua raiva com um paciente rabugento e violento, acaba por matá-lo. Mas a ferramenta que Machado de assis usa para ajudar-nos ver e compreender a mensagem do texto é o fato que ele escreve esse conto com o enfermeiro representado o narrador. Por que? Machado faz isso, realmente para que nós (os leitores) vejamos que a natureza humana é arranjar desculpas a fim de arejar a nossa consciência.
Fica a idéia de que os valores internos não corresponde aos de valores externos. Lemos que o enfermeiro lutava tanto para ter paciência com o Coronel, mas afinal, acaba por tirá-lo a vida. Depois disso, o enfermeiro ficou com muito culpa daquilo que tinha feito. E as escrituras que o narrador usou mostra-nos que esse homem foi uma homem cristã. Sabia que fez mal (valores internos). Mas, como sempre, Machado inclui a ironia que o enfermeiro não somente herdou o dinheiro do Coronel rico, mas também recebeu elogios duma cidade inteira. Mas em vez de sentir mais culpa, o enfermeiro ilude a si mesmo. Ele começou a justificar a sua ação e acreditar nas coisas que as pessoas diziam (valores externos).
Mais ironia é que o homem, sendo cristã, não confessava o seu pecado, mas ao remóir-se de remorso o ele começa a fazer desculpas para cobrir o seu ato e tratar bem a sua mente. Quando fazemos coisas erradas, a nossa culpa fica pesada. Então inventamos desculpas seja onde pudermos, enganamo-nos mesmos, compensamos falhas, lembramo-nos dos outros fatos, e mesmo fazemos boas ações depois para que fiquemos leves. O enfermeiro faz exatamente isso. Por exemplo, o coronel tinha um aneurisma em estágio terminal que ia acabar com a sua vida em qualquer momento. O primeiro disse que foi uma luta e estava se defendendo do coronel. Os médicos no fim disseram que a morte de felisberto era certa. O enfermeiro agarrava em tudo que puder para arejar a sua consciência, e mesmo doa toda a fortuna que herdou, iludindo-se que isso limpava-se do seu ato mal. Mas enfim, o pecado fica com ele.
Porque o enfermeiro escreveu este conto, temos um "front row seat" em ver e testemunhar a batalha da natureza humana de ser honesto e reto ou de ser mentiroso e covarde. Vimos esse mesma batalha em "A Cartomante." O homem ilude-se a fim de aliviar-se da sua culpa.
O Enfermeiro foi um conto muito interessante sobre um enfermeiro que por causa da sua raiva com um paciente rabugento e violento, acaba por matá-lo. Mas a ferramenta que Machado de assis usa para ajudar-nos ver e compreender a mensagem do texto é o fato que ele escreve esse conto com o enfermeiro representado o narrador. Por que? Machado faz isso, realmente para que nós (os leitores) vejamos que a natureza humana é arranjar desculpas a fim de arejar a nossa consciência.
Fica a idéia de que os valores internos não corresponde aos de valores externos. Lemos que o enfermeiro lutava tanto para ter paciência com o Coronel, mas afinal, acaba por tirá-lo a vida. Depois disso, o enfermeiro ficou com muito culpa daquilo que tinha feito. E as escrituras que o narrador usou mostra-nos que esse homem foi uma homem cristã. Sabia que fez mal (valores internos). Mas, como sempre, Machado inclui a ironia que o enfermeiro não somente herdou o dinheiro do Coronel rico, mas também recebeu elogios duma cidade inteira. Mas em vez de sentir mais culpa, o enfermeiro ilude a si mesmo. Ele começou a justificar a sua ação e acreditar nas coisas que as pessoas diziam (valores externos).
Mais ironia é que o homem, sendo cristã, não confessava o seu pecado, mas ao remóir-se de remorso o ele começa a fazer desculpas para cobrir o seu ato e tratar bem a sua mente. Quando fazemos coisas erradas, a nossa culpa fica pesada. Então inventamos desculpas seja onde pudermos, enganamo-nos mesmos, compensamos falhas, lembramo-nos dos outros fatos, e mesmo fazemos boas ações depois para que fiquemos leves. O enfermeiro faz exatamente isso. Por exemplo, o coronel tinha um aneurisma em estágio terminal que ia acabar com a sua vida em qualquer momento. O primeiro disse que foi uma luta e estava se defendendo do coronel. Os médicos no fim disseram que a morte de felisberto era certa. O enfermeiro agarrava em tudo que puder para arejar a sua consciência, e mesmo doa toda a fortuna que herdou, iludindo-se que isso limpava-se do seu ato mal. Mas enfim, o pecado fica com ele.
Porque o enfermeiro escreveu este conto, temos um "front row seat" em ver e testemunhar a batalha da natureza humana de ser honesto e reto ou de ser mentiroso e covarde. Vimos esse mesma batalha em "A Cartomante." O homem ilude-se a fim de aliviar-se da sua culpa.
Friday, September 6, 2013
A Caixa de Ferramentas
Hoje, gostei muito da leitura que falou a respeito de "fato natural" e da necessidade de ter teoria. Havia uma citação com qual eu podia me relacionar que ficava na página 6 que diz, "The upsetting of the "natural fact" is the beginning of being able to see things differently...Everything comes from somewhere and functions in a particular context set of contexts; there's no such thing as a "natural fact."
No texto, fala que "o fato natural" é a nossa opinião e a teoria é o poder de mudar aquela opinião. Bem, não mudar, mas, em vez disso, influenciar por meio de "debate ou discurso" (página 7, The Theory Toolbox). Enquanto eu lia, o livro chamou-me à atenção porque tenho muitos "fatos naturais" que eu acho certos e que não vou mudar. Eu sou teimoso!
Por exemplo, quando eu jogava no equipa de basquete de minha escola secundária, minha mãe sempre me fazia sandes quando o jogo ficava longe de casa. Eu sempre queria a mesma mostarda em pelo menos uma fatia de pão. Mas um dia, minha mãe sugeriu que tivesse mostarda picante no sandes. Eu não gostei nada disso! "Não mãe, não quero," eu dizia. Um dia então, minha mãe pôs mostarda picante no meu sandes sem eu saber. Aquele dia, eu comi-o. E sabes uma coisa? Eu gostei! Então meu fato natural foi perturbado (upset) e comecei a ver as coisas numa maneira diferente.
Então, será que "o fato natural" existe? Bem, não sei completamente. Eu só sei que esses "fatos" podem ser influenciados e mudados por meio da caixa de ferramentas da teoria. E eu espero aprender mais como isso acontece, porque como o canção no inicio do livro disse, "Como nós pensamos, muda como nós agimos." Se pudermos mudar a maneira que nós pensamos para o melhor, então nós e o mundo seremos melhores também.
No texto, fala que "o fato natural" é a nossa opinião e a teoria é o poder de mudar aquela opinião. Bem, não mudar, mas, em vez disso, influenciar por meio de "debate ou discurso" (página 7, The Theory Toolbox). Enquanto eu lia, o livro chamou-me à atenção porque tenho muitos "fatos naturais" que eu acho certos e que não vou mudar. Eu sou teimoso!
Por exemplo, quando eu jogava no equipa de basquete de minha escola secundária, minha mãe sempre me fazia sandes quando o jogo ficava longe de casa. Eu sempre queria a mesma mostarda em pelo menos uma fatia de pão. Mas um dia, minha mãe sugeriu que tivesse mostarda picante no sandes. Eu não gostei nada disso! "Não mãe, não quero," eu dizia. Um dia então, minha mãe pôs mostarda picante no meu sandes sem eu saber. Aquele dia, eu comi-o. E sabes uma coisa? Eu gostei! Então meu fato natural foi perturbado (upset) e comecei a ver as coisas numa maneira diferente.
Então, será que "o fato natural" existe? Bem, não sei completamente. Eu só sei que esses "fatos" podem ser influenciados e mudados por meio da caixa de ferramentas da teoria. E eu espero aprender mais como isso acontece, porque como o canção no inicio do livro disse, "Como nós pensamos, muda como nós agimos." Se pudermos mudar a maneira que nós pensamos para o melhor, então nós e o mundo seremos melhores também.
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