"...mas, ao cabo de uma quarto de hora, eis o que ele dizia consigo: -- Ninfa, doce amiga, fantasia inquieta e fértil, tu me salvaste de uma ruim peça com um sonho original, substituíste-me o tédio por um pesadelo: foi um bom negócio. Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco."
Este conto de Machado de Assis é um muito único ao mundo, pois leva-nos a participar da aventura vivida pelo protagonista, no qual parece-se muito real. Por causa das mudanças do momentos, o leitor fica confundido na história. Eu tive que ler duas vezes muito devagar só para perceber que o bacharel estava a sonhar. Nunca li um texto assim. Então, porque é que Machado escreveu este conto, e qual é o significado dele?
Eu não posso dizer melhor de que o Duarte que disse, "o melhor drama está no espectador e não no palco." Parece que o autor esta a ensinar uma lição. Faz-se perceber a importância que o imaginário/leitor exerce nas narrativas, pois Machado deixa-nos completamente confusos em alguns pontos do conto. Quase não deu na primeira leitura perceber o que estava a passar-se, se era realidade ou sonho. Mas isso é o gênio do autor. Ele quer que olhemos para trás para buscar as nossas próprias respostas. Machado de Assis distingue-se de outros escritores por transformar seus leitores em personagens a levá-los a usar a imaginação e fazer com que eles tirem suas conclusões pessoais do texto. Ele faz-nos tirar a moral de história.
Então, neste conto particular, nos tornamos o Duarte. Ele tem uma outra coisa melhor para fazer como nós (dançar no baile com a namorada dele há uma semana), mas o Major queria que ele lesse/ouvisse a história/drama dele que tem 7 quadros. Que droga! Duarte ficou irritado e não conseguiu focalizar porque estava a pensar só em Cecilia. Mas sem nós sabermos, ele começa a sonhar com os personagens e aspectos do texto de Major. Ele fez uma história intenso e aventurosa. Tão aventurosa que ele agradeceu o Major no fim do conto.
Machado de Assis quer que façamos o mesmo. Que leiamos, que criemos a nossa opinião, que vivamos o conto. Porque como aprendemos no "Toolbox", não existe facto na leitura. Somente existe interpretação. O autor lembra-nos disso, que nós é que fazemos uma boa leitura. O melhor drama/conto/ leitura fica nas mãos de espectador. E é por essa razão que Machado tem tanto sucesso, porque seus leitores vivem a aventura.
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